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Poesias ganham som e viram álbum gratuito na internet

PATRÍCIA BRITTO
DE SÃO PAULO
Junte a inquietação de jovens inspirados, versos ousados e alguns instrumentos com a vontade de arriscar. O resultado dessa mistura está no primeiro disco virtual do projeto “Reversos – Instrumentalizando a Poesia”, prometido para ser lançado neste mês via Facebook, com link para download gratuito.
A coletânea reúne obras de 16 poetas que tinham sido publicadas na coluna Reversos, do site “NegoDito“. As poesias foram escolhidas por 26 músicos, que na maioria dos casos não conheciam os autores. Os compositores acrescentaram acordes, criaram melodias, arranjos e deram forma, ou melhor, som aos versos. A brincadeira terminou em um disco virtual com 26 faixas, divididas entre “lado A” e “lado B”.

“Depois desse processo, mesmo sem conhecer as pessoas, a gente se sente mais íntimo, em função da criação em comum”, conta Estrela Ruiz Leminski, 31, que tem três poemas e uma música na coletânea.

Outro poeta que teve seus versos musicados foi o escritor cubano Canek Sánchez Guevara, 38, neto do guerrilheiro argentino Che. “Primeiro, não entendi nada. A pergunta básica nesse tipo de situação é: mas alguém gosta disso de verdade?”, contou sobre quando recebeu o convite para participar da coletânea.

A intenção dos organizadores era dar visibilidade à intensa produção que, muitas vezes, acaba sendo esquecida, conta Filipe Garrett, 27, idealizador do projeto. “Diante da nossa relativa proximidade com diversos bons nomes que surgem aos borbotões na música, foi realmente algo natural”, diz Garrett. “A ideia era que a música desse um pouco de holofote para a poesia e que a poesia desse um pouco de sensibilidade para a música”, completa Junior Bellé, 27, que participou como poeta e organizador.

DEGUSTAÇÃO

Para dar uma mostra do que será a coletânea, o “NegoDito” vem divulgando alguns “singles“. Uma das faixas é “Pó das Pálpebras”, lançada nesta quarta-feira (2), que tem versos do paranaense Homero Gomes e música da carioca Bárbara Eugênia, 31. “Fiquei em dúvida entre esta e outras duas, mas um dia eu estava relendo e começou a vir uma melodia na minha cabeça, então fiquei com ela”, diz a cantora sobre a escolha do poema.

Duas outras canções já divulgadas –“Teu Homem” e “Eu em Você”– têm um tom erótico, mas Bellé adianta que esse não é o tema predominante: há também poesias sobre suicídio, drogas, tempo, amor e ainda preocupações sociais e estética. “Demos a liberdade para os músicos escolherem a poesia que mais os tocasse.”

Assim como no tema, também não há um estilo musical que delimite o álbum, mas Bellé revela que é possível perceber uma diferença entre as faixas do lado A, que estão mais para o rock, das do lado B, que tendem para algo mais parecido com MPB, com bastante violão.

E os organizadores prometem que o lançamento do disco virtual do Reversos é só o começo de um ciclo, ao qual eles pretendem dar continuidade com poesias levadas para o audiovisual, além de um novo álbum com poetas e músicos sul-americanos.

Publicado originalmente na folha.com

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